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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os cabelos de Sif e a criação do martelo Mjölnir

     Os mitos nos contam que o deus possuía três preciosos objetos, os quais eram seus tesouros. Um dos tesouros era o cinto Megingjord, o qual consistia num "cinto de força", ou seja, quando o deus usava o cinto, este lhe aumentava a força. Uns dizem que isso lhe duplicaria a força, outros falam que o cinto aumentaria em dez vezes a sua força. O segundo tesouro eram as luvas de ferro chamadas de Járngreipr, que dizia-se que com estas luvas, o martelo jamais escorregaria das mãos do deus. Contudo, o maior tesouro que Thor possuía era o seu martelo de cabo curto, chamado Mjölnir o qual se tornou um símbolo de seu poder, de seu culto e de sua própria representação seja mitológica ou atualmente na cultura pop. De fato, o Thor dos quadrinhos não usa o cinto e as luvas de ferro, apenas o martelo. 

      Mas, para conhecermos a origem do icônico martelo que conjurava trovões, raios e tempestades, e que esmagava o crânio de gigantes, primeiro devemos saber a ligação de Sif com essa história. 

      Tudo começa quando certa vez Sif se encontrava dormindo, Loki na ocasião decidiu pregar uma peça de mau gosto, então com uma faca ele cortou os longos e belos cabelos da deusa e fugiu dali. Sif quando acordou, notou que seus cabelos estavam curtos, ela que possuía uma grande admiração por estes, pôs a cair em choro, então cobriu a cabeça com vergonha. Quando Thor retornou para casa, foi procurar sua esposa, e a encontrou muito triste, quando lhe foi revelado o ocorrido, ele se pôs a se enraivecer e perguntou se Sif tinha ideia de quem havia feito aquilo, ela mencionara que talvez fosse obra de Loki, pois ele era conhecido por pregar travessuras. 

A deusa Sif cochilando, enquanto o traiçoeiro Loki se aproximava para lhe cortar os cabelos. 
     Thor furioso partiu para encontrar Loki, ele não matou o mesmo na ocasião, pois este pediu clemência por sua vida, e prometeu que iria conseguir os cabelos de Sif de volta. Ao mesmo tempo, Odin entrou na discussão e disse que Loki também teria que recompensar os deuses com presentes, neste caso ele teria que dá presentes para Thor, Freyr e o próprio Odin. Tendo essa difícil tarefa em mãos, o ardiloso Loki partiu para encontrar alguns anões, os quais eram famosos por serem os maiores artífices e ferreiros do mundo. 

    Loki procurou dois anões chamados Brokk e Eitri, conhecidos como filhos de Ívaldi. Os anões no primeiro momento se recusaram a aceitar o pedido de Loki, mas ele apostou sua vida naquilo, para que os dois fizessem três preciosos tesouros. Os anões disseram que fariam os tesouros que Loki pedira, mas também fariam seus próprios presentes para os deuses. Os dois irmãos aceitaram o trato e começaram a trabalhar, mas o ardiloso Loki se transformou num mosquito e começou a atrapalhar o trabalho de Brokk o qual era responsável por coordenar o fole que aquecia a forja, enquanto Eitri realizava o restante do trabalho. Loki não querendo que os anões o enganassem, fabricando tesouros ruins, começou a ameaçar o serviço de Brokk. A ideia de Loki era impedir que os presentes dos anões fossem melhores dos quais eles faziam para ele.

      Num primeiro momento eles criaram um javali com a crina de ouro, então continuaram a trabalhar enquanto Loki transformado em mosquito picava a mão, o pescoço e as pálpebras de Brokk. No final os anões criaram seis presentes, sendo que três foram dados por Loki e os outros três dados por eles dois.
Os anões Brokk e Eitri, Loki e os presentes feitos por ele, em destaque o martelo Mjölnir. 
     Loki deu uma majestosa lança chamada Gungnir a qual dizia que jamais erraria o alvo, a presenteando a Odin. Para Thor ele deu os cabelos de ouro para sua esposa, e para o deus Freyr (irmão de Freya) representante dos deuses Vanir, este recebera o navio Skidbladnir o qual dizia-se que nunca faltaria vento para aquele navio, desde que as velas fossem içadas, e além disso o navio poderia ser encolhido, a ponto de ser guardado no bolso ou em uma bolsa.

    Por sua vez os anões deram a Odin um anel de ouro chamado Draupnir, o qual a cada nove noites, ele se multiplicava, criando anéis idênticos. Para Freyr eles deram o javali de crina dourada (Gullinbursti), o qual possuía o poder de correr pelos ares e sobre a água. Por fim, os anões deram para Thor um martelo de cabo curto, chamado Mjölnir o qual se tornou a principal arma e símbolo do deus dos trovões e raios. Os três deuses consideraram o martelo o mais precioso dos presentes.

Réplica de um martelo usado no culto a Thor. O martelo representa Mjölnir o qual nos mitos dizia que possuía um cabo curto, ficando justo na mão.
     O martelo concedeu imenso poder a Thor, canalizando suas forças, de forma a lançar raios, e ao mesmo tempo esmagar inimigos, pedras e montanhas. Além disso, os mitos contam que Thor arremessava o martelo e este sempre retornava a sua mão. Contudo, diferente das histórias em quadrinhos, outras pessoas conseguiam erguer o martelo, tal fato fica evidente quando o Mjölnir foi roubado uma vez. 


Fonte das ilustrações e texto:
http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br

O roubo do martelo de Thor

     A história do roubo do martelo é contada no poema Thrymskivida (Þrymskviða) na Edda poética. Neste poema, certo dia Thor acordara em seu palácio e notou que o seu martelo não se encontrava no lugar onde havia deixado. Ele começou a procurar pelo martelo, e tardando a não encontrá-lo, suspeitou que o mesmo havia sido roubado. Na ocasião de sua busca ele encontrou Loki e lhe contou o ocorrido. Embora Loki cause problemas aos deuses, ele também em alguns momentos os ajuda. 

     Loki tivera um palpite, então os dois seguiram até o Palácio Folksvang, o lar da deusa Freya, a maior importante das Vanir. Freya era considerada a mais bela das deusas, bastante semelhante a Afrodite dos gregos, pois ela também era uma deusa do amor, do sexo, da sensualidade, da fertilidade, etc. 

     Loki pediu uma capa de penas de falcão para a deusa, esta emprestou, e assim Loki pôde voar pelo céu, seguindo até Jotunheim onde ele descobriu o lar do gigante Thrym, o qual era bem rico, possuindo vários cachorros que guardavam sua propriedade, além de possuir vários cavalos. O poema não explica direito como Loki sabia que Thyrm havia roubado o martelo, mas este questionou o gigante acerca do martelo de Hlórridi (um dos epítetos de Thor). O gigante respondeu que havia pego o martelo (embora não saibamos como ele conseguiu adentrar Asgard, invadir Bilskirnir e roubar o martelo) e o escondera nas profundezas da terra. Para devolvê-lo ele pediu em troca a deusa Freya, para que pudesse tomá-la como esposa. 

     De volta a Asgard, Loki narrou a conversa com Thyrm, Thor decidiu procurar Freya e a obrigou a vestir o vestido de noiva e seguir para se casar com o gigante. A deusa se enfureceu e arrebentou seu preciso colar chamado Brisingamén. A deusa retrucou solicitando que um conselho dos deuses fosse convocado para se decidir tal questão, e assim foi feito. Durante o conselho o deus Heimedal sugeriu que Thor se vesti-se de noiva e fosse recuperar seu martelo, o poderoso deus retrucou contra, e nunca aceitaria se vestir de mulher, porém Loki intercedeu e disse que aquela era a solução a ser tomada. Thor acabou aceitando a condição. 

 Thor sendo vestido de noiva por duas deusas, enquanto os gatos da deusa Freya o observam. No canto direito podemos ver Loki espionando a cena. Aparentemente parece está achando graça daquilo tudo. 
     Após Thor se vestir de noiva, colocando enchimento para parecer os seios, assim como cobriu seu rosto e barba com um longo véu. Loki também decidiu ir junto para ajudá-lo, assim ele se transformou numa mulher, passando a dizer que seria uma serva de Freya e estava sendo enviada para entregar sua senhora ao gigante Thrym e para levar o martelo de volta. 

Loki ajusta o véu de noiva de Thor. 
     Thor e Loki subiram na carruagem do deus do trovão e os dois bodes os levaram pelos ares até Jotunheim, chegando lá avistaram que uma grande festa de casamento havia sido preparada, e Thyrm aguardava com seus familiares e amigos a chegada da sua noiva. O local estava cheio de gigantes, os quais comiam e bebiam a vontade, pois Thyrm se gabava de ser bastante rico. Quando os dois chegaram no local, Thor se pôs a comer e a beber. O poema diz que o deus comeu um boi inteiro, oito salmões e bebeu três odres de cerveja. Thrym e os demais convidados ficaram espantados com aquilo, que mulher possuía tamanho apetite? Loki respondeu que a "deusa" não se alimentava e não bebia a oito dias, pois estava apreensiva pelo casamento, logo tinha muita fome.

     Ao chegar perto da noiva, o gigante notou que ela tinha olhos vermelhos, e achou aquilo estranho. Loki disse que os olhos "dela" estavam vermelhos pois ela estava com insônia e não dormira direito nestes últimos dias, pois tinha pressa em chegar. Thyrm mandou chamar sua irmã e que ela trouxesse o martelo para usá-lo como símbolo de consagração de seu casamento. A giganta chegou trazendo o martelo e o entregou a noiva, de posse de seu martelo o deus sentiu seus poderes retornarem, então retirou o vestido de noiva e partiu para a vingança matando todos os gigantes e gigantas da festa.

Thor prepara-se para matar Thyrm. Loki e os demais convidados assistem o ato. 
     Para alguns mitólogos esse mito teria sido escrito na época que o Cristianismo adentrou a Escandinávia, e teria sido uma forma de desmoralizar o deus Thor, mostrando que seu martelo foi roubado e que ele teve que se vestir de mulher para recuperá-lo. Contudo, outros mitólogos acreditam que esse mito seja uma metáfora para ligar o martelo como um símbolo de força e virilidade do deus, e quando este o perdeu, acabou perdendo estes atributos, daí o fato de se vestir de mulher, pois o martelo foi associado a um símbolo fálico. 


Fonte das ilustrações e texto:
http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br

A pescaria de Jormungand



     Jormungand era um dos três filhos de Loki com a giganta Angrboda. Ele possuía a forma de uma gigantesca serpente, daí ser conhecido pelos epítetos de a "Serpente do Mundo" ou a "Serpente de Midgard". Jormungand era irmão do gigantesco lobo Fenrir e da deusa dos mortos, Hel. A medida que ele começava a crescer rapidamente, Odin temendo os problemas que ele viesse a causar, o lançou as profundezas do oceano. Neste caso temos que saber que os escandinavos consideravam que o mundo fosse circular e plano, e houvesse um vasto oceano circular, daí alguns mitos falarem que Jormungand era tão grande que conseguia contornar este oceano e morder a própria cauda.

Jormungand, a Serpente do Mundo. 
     No texto sobre Odin, vimos que Fenrir estava predestinado a matar o rei dos deuses durante o Ragnarok, logo, no caso de Jormungand, ele estava predestinado a confrontar Thor numa luta de vida ou morte. Mas, antes disso acontecer, houve uma ocasião que o ruivo deus tentou antecipar o confronto, indo atrás da gigantesca serpente. 

      Existem várias versões sobre o mito, mas a versão da Edda em prosa é uma das mais conhecidas, possuindo detalhes que outras versões não possuem. Nesta história fala-se que Thor partiu de Asgard para encontrar o gigante Hymir o qual se dizia ser pai de Tyr, o deus da guerra. Thor assumiu a forma de um jovem e foi encontrar o gigante. Ele aguardou o amanhecer para se apresentar a Hymir. Quando este acordou, após se vestir e se alimentar, seguiu para o seu barco, na ocasião Thor foi falar com ele, pedindo que pudesse acompanhá-lo na pescaria, mas Hymir relutou em concordar, pois disse que o garoto era jovem demais, e era inexperiente, teria medo, fome e sentiria frio; apenas iria atrapalhá-lo. De acordo com Snorri aquilo irritou o deus, e o mesmo quase desferiu uma martelada no gigante. Temos que nos lembrar que o deus em geral tinha pouca paciência com aqueles que o contrariavam.

      Hymir acabou aceitando o pedido do rapaz e disse para ele arranjar sua própria isca. Thor foi até a manda de bois do gigante, e procurou pelo maior boi, o qual era chamado Himinhrjót, então ele matou o animal e lhe cortou a cabeça, a levando consigo. Os dois seguiram viagem pelo mar; Hymir remava velozmente, e logo chegou ao local que costumava pescar linguados, mas Thor pediu que eles fossem para mais longe; o gigante achou aquilo estranho, mas concordou, mas novamente o deus pediu para que fossem ainda para mais longe. Hymir disse que seria perigoso, pois poderiam se deparar com a Serpente de Midgard.

      Ao chegar no local mais distante que haviam ido mar adentro, Thor soltou os remos e começou a preparar a linha de pesca, o anzol, e finalmente pregou a cabeça do boi neste, então o lançou nas águas, esperando que fosse bem fundo.

Gravura de um livro islandês do século XVII, retratando Thor jogando o anzol com a cabeça do boi Himirhtjót, enquanto o gigante Hymir o observa. 
     "A serpente de Midgard mordeu, então, a cabeça do boi e o anzol imediatamente se prendeu a sua boca; quando isso ocorreu, ela repuxou tão violentamente que os punhos de Thor se chocaram contra o barco. Thor se enfureceu e elevou tanto sua força divina que suas pernas vazaram pelo fundo do bote e seus calcanhares se enterram no fundo do mar. Trouxe, desse modo, a serpente a bordo, e deve ser dito que ninguém jamais presenciara visão mais amedrontadora do que aquela em que Thor fixava seus olhos na serpente, que o encarava de volta, babando veneno". 

      Hymir ao ver a terrível criatura ficou com tanto medo que por um momento ficou sem reação. Thor puxou a cabeça da serpente para fora da água, então com a outra mão brandiu seu martelo e preparou para desferir um golpe, mas Hymir reagindo contra o medo, levantou-se e cortou a linha, libertando o monstro. Thor chegou a lançar Mjölnir, mas este apenas atingiu as ondas que a serpente deixou para trás. Revoltado pela covardia e intromissão do gigante, Thor o golpeou e o matou. 

Hymir cortando a linha que prendia Jormungand. 
     Ficando frustrado com o ocorrido, o deus remou de volta até terra firme e foi embora. Contudo, o conflito derradeiro entre deus e monstro só viria a ocorrer no Ragnarok. Mas essa segunda história, novamente revela a força do deus, pois por duas vezes ele conseguiu erguer a gigantesca serpente. Não obstante, existe, uma versão que diz que Thor não mata Hymir nesse momento, mas o teria matado em outra ocasião, quando em visita a casa deste, o deus acabou discutindo com o gigante e lhe arremessou uma taça com tamanha força, que ela rachou a cabeça do gigante, o matando. 

Fonte das ilustrações e texto:
http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br

A viagem a Útgard: Thor é enganado

      A viagem de Thor a Útgard a qual é descrita neste mito como sendo a capital de Jotunheim é uma das histórias mais curiosas sobre o deus do trovão, pois nessa narrativa, Thor é enganado pelo rei gigante Útgard-Loki. Além disso, nessa história, também conhecemos mais um pouco do temperamento e orgulho do deus. Essa história não consta entre os poemas que formam a Edda poética, contudo na Edda em prosa, Snorri a narrou em detalhes. Irei resumir os acontecimentos aqui, pois tal mito ocupa algumas páginas do livre de Snorri. 
Thor e Loki seguindo viagem a Jotunheim. 
      Não se sabe ao certo os motivos da viagem, mas Thor e Loki estavam viajando por Midgard, até que certo dia próximo de anoitecer, Thor avistou uma fazenda, e lá foi pedir abrigo ao dono do local. Ele e Loki se reuniram a família do fazendeiro o qual possuía um filho chamado Tjálfi e uma filha chamada Röskva. Em algumas versões é dito que os dois irmãos são crianças, e outras eles aparecem como sendo adolescentes. A esposa do fazendeiro serviu o jantar, mas Thor como costumava comer bastante, sacrificou os seus dois cavalos (algumas versões dizem que foram os dois bodes negros), então os pois para assar, contudo, dissera que apenas a carne poderia ser consumida, a pele e os ossos deveriam ficar intactos. 
Contudo, o fazendeiro e Tjálfi quebraram um dos fêmur de uma das pernas. No dia seguinte, usando o seu poder Thor reviveu os dois animais, mas o que havia tido o fêmur partido, renasceu manco. Aquilo irritou o deus e o mesmo ameaçou matar toda a família, mas eles empalecidos de medo diante da face tempestuosa do deus ruivo, começaram a suplicar por misericórdia. O deus aceitou como rendição, que Tjálfi e Röskva fossem lhe entregue, para se tornarem seus servos. O fazendeiro aceitou a oferta.
   A partir desse acontecimento, os quatro seguiram viagem para Jotunheim até que certa noite, em meio a um bosque avistaram o que parecia ser a entrada de um grande palácio, onde lá passaram a noite. No dia seguinte, ouvindo um som alto e estranho, o deus saiu para investigar então encontrou ali perto um enorme gigante dormindo. Ele era bem maior do que o comum e se chamava Skrymir. 
     Os quatro consentiram em seguir viagem ao lado desse gigante e no entardecer, ele voltou a dormir, mas antes de o fazê-lo dissera que eles poderiam comer da comida que ele guardava em sua bolsa. Contudo, o poderoso Thor não conseguiu desatar os laços da bolsa, e isso o irritou ao ponto de atacar Skrymir. Thor por três vezes o golpeou na cabeça, mas nada aconteceu com o gigante. Nas três ocasiões, Skrymir acordou e voltou a dormir, achando que as pancadas fossem folhas ou frutas que havia caído das árvores. Thor ficara perplexo em ver que seus poderes não causavam dano aquele gigante.
Thor prepara-se para disferir uma martelada na cabeça de Skrymir, enquanto Loki, Tjálfi e Röskva assistem a cena. 
      No amanhecer, Skrymir disse que Thor e os demais teriam que ter cuidado quando chegassem a Útgard, pois o rei Útgard-Loki e seu exército eram bastante poderosos.
"Mas se chegardes até Útgard, observareis que homens maiores existem lá. Dar-vos-eis um conselho, porém: não vos comporteis de modo arrogante; os soldados de Útgardi-Loki não tolerarão arrogâncias de insignificantes como vós". (STURLUSON, 1993, p. 106). 
Skrymir os aconselha a desistir de seguir viagem, porém Thor mantém a palavra de continuar a seguir para Útgard, assim Skrymir disse que não iria acompanhá-los, então se despede deles e segue em direção ao norte, pois a cidade de Útgard ficava para leste. Os quatro viajantes continuaram seu caminho e ao meio-dia chegaram diante de uma enorme fortaleza, com portões tão altos que quase se perdia de vista. Thor tentou abrir a gigantesca porta, mas mesmo sua poderosa força não foi capaz de fazê-la, então eles encontraram brechas na porta e por ali adentraram a fortaleza e lá dentro encontraram um grande palácio, ao chegarem numa enorme sala, onde havia vários gigantes sentados em bancos diante de uma longa mesa, eles avistaram em um trono, o rei Útgard-Loki. 
Útgard-Loki observa os quatro visitantes. 
      "Em seguida, chegaram ao rei Útgard-Loki e o saudaram, mas isso ocorreu um pouco antes de que ele os notasse. Ele sorriu sarcasticamente para eles e disse: 'Novidades viajam lentamente através de longas distâncias, ou estarei incorreto ao afirmar que este fedelho seja Ökuthor? Creio que deves ser mais forte do que pareces. Quais habilidades pensam tu e teus companheiros dominar? Não permitimos que alguém que não domine alguma arte ou possua algum conhecimento permaneça entre nós". (STURLUSON, 1993, p. 107).
      Nesse ponto da história notamos que o gigante feriu o orgulho de Thor e também de Loki. O curioso desse mito, é que embora Thor fosse famoso por ser um assassino de gigantes, Utgard-Loki e seus homens não aparentavam medo, e começaram a duvidar se o deus ruivo realmente era forte e teria realizado os feitos que se contavam. Thor indignado com aquela afronta decidiu provar seu valor, assim os gigantes propuseram desafios. Irei resumir o acontecimento.
      O primeiro desafio foi dado a Loki, o qual disse que conseguiria comer mais rápido que qualquer um dos gigantes. Ele iria competir contra o gigante Logi ("Fogo"). Os dois se sentaram nas pontas da mesa e começaram a devorar toda a comida que havia sobre esta, mas no fim Logi conseguiu vencer a competição. 
   O segundo desafio foi proposto a Tjálfi o qual disse que poderia participar de uma corrida, pois era conhecido por ser um exímio velocista. Assim, todos foram para o campo nos arredores da fortaleza, e Tjálfi correria contra o gigante Hugi ("pensamento"). Após três tentativas, Tjálfi perdeu as três para Hugi. 
      Por fim, chegou a vez de Thor. Útgard-Loki propôs três desafios para o trovejantes deus. O primeiro seria beber cerveja em um chifre, o mais depressa possível. O gigante disse que os bons bebedores, o faziam apenas em um trago. O copeiro retornou com um enorme chifre cheio de cerveja e o entregou ao deus o qual se esforçou para beber o mais depressa possível, mas quando notou, praticamente não havia bebido nada. O deus tentou mais duas vezes, mas também não conseguiu esvaziar o corno e nem se quer beber um terço do seu conteúdo. O gigante disse que o pior dos gigantes bebia aquilo em apenas três goles, e o formidável Ásathor não conseguira fazer isso. 
Thor durante a competição de esvaziar o corno com cerveja. 
      O segundo desafio, era erguer o grande gato de Útgard-Loki, o qual ele dizia que os seus homens faziam isso como se fosse brincadeira de criança. Então um grande gato cinza (as vezes ele é retratado como sendo preto), apareceu diante de Thor. Então o deus o segurou pela barriga e fez força para erguê-lo, mas o bichano parecia ser pesado como uma montanha. Depois de algumas tentativas, o deus notou que conseguiu apenas erguer uma das patas do felino. Aquilo o enfureceu.
Thor tentando levantar o gato gigante de Útgardi-Loki. 
      "Útgardi-Loki disse: 'Isso se seguiu como eu suspeitava. O gato é bastante grande, mas Thor é baixo e pequeno comparado a qualquer homem que aqui se encontra'. Thor disse: 'Podes chamar-me de pequeno, mas permita que um dos seus venha a combater comigo, pois agora estou em fúria'". (STURLUSON, 1993, p. 111). 
      Útgard-Loki aceitou a proposta, mas disse que o deus não estava a altura de combater nenhum de seus soldados, e ao invés de designar algum dos guerreiros mais fracos, pois o rei gigante desdenhava da força de Thor, ele designou sua madrasta, a velha Elli para combater em um combate desarmado com o deus do trovão. 
Thor confrontando a giganta Elli.
      Após desferir vários ataques contra a velha giganta, a mesma parecia que não sentia dor com nenhum daqueles golpes. Thor perplexo com aquilo, continuou a atacar com mais força, mas com apenas um tapa da giganta ele caiu no chão desnorteado com o que aconteceu. Útgard-Loki encerrou a luta e considerou que o deus havia sido derrotado. Ao mesmo tempo ele completou dizendo que se o poderoso Thor não conseguia derrotar uma velha, do que dizer confrontar os seus guerreiros. 
     O rei disse que os quatro viajantes poderiam passar a noite em seu palácio, e no dia seguinte eles foram saudados com um farto café da manhã, antes de irem embora. Já fora da fortaleza Útgard-Loki se pôs a contar toda a verdade, tudo o que havia ocorrido era uma farsa, ele havia usado magia para enganá-los. Primeiro ele contou que o gigante Skrymir na realidade era ele sob outra forma. As três pancadas que Thor havia desferido, na realidade foram dadas numa imensa rocha e não na cabeça do gigante. Útgard-Loki apontou para uma pedra que se encontrava destruída após as marteladas.
      O gigante Logi na realidade era o "Fogo", logo, o fogo consome tudo em seu caminho, e seria impossível para Loki derrotá-lo. Isso é curioso pois Loki era considerado o deus do fogo, e como ele poderia perder para o elemento que ele estava atribuído?
      O gigante Hugi, era na realidade o pensamento de Útgard-Loki transfigurado, logo, nada é mais rápido que a velocidade do pensamento (pelo menos na época dessa história assim se acreditava). 
      O corno de cerveja que Thor tentou beber, na realidade não contia cerveja, mas estava ligado ao mar. Daí o deus esforça-se para esvaziá-lo, mas ninguém conseguiria "beber o mar", contudo Thor conseguiu fazer o nível do mar baixar um pouco, algo que surpreendeu Útgard-Loki. O gato gigante na realidade era a Serpente de Midgard, chamada Jormungand, a qual foi transformada naquele felino. A serpente era a maior criatura do mundo, e Thor conseguiu erguer uma parte dela, um feito incomparável.Por fim, a giganta Elli era a "Velhice", logo, nenhum mortal consegue confrontar a velhice a qual é a mensageira da morte, mas Thor conseguiu resistir bastante tempo contra a mesma e se empenhou em derrotá-la. 
      "E quando Thor ouviu esta história, agarrou seu martelo e brandiu-o nos ares; mas, no momento em que estava para desferir o golpe, não mais viu Útgard-Loki. Então, voltou-se para a fortaleza com intenção de destruí-la, e não mais a viu - somente vastas e belas planícies". (STURLUSON, 1993, p. 114).
      Esse mito é interessante pois ele é ambíguo: numa hora, o deus é feito de tolo, mas no fim descobre-se que realmente ele era poderoso como se dizia. Aqui podemos notar que a ideia do mito era mostrar que realmente Thor era poderoso, mas os contadores dessa história se valeram de algum artifício poético, para dá um tom de suspense e cômico a trama, mostrando um deus fraco, mas que na realidade era forte, mas havia sido enganado pelo uso da magia. A magia é uma fato recorrente na mitologia escandinava e na religião destes povos. 

Fonte das ilustrações e texto:
http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Andvarinaut - Inspiração para o Anel de O Senhor Dos Anéis

Fonte da ilustração: http://portal-dos-mitos.blogspot.com.br/2013/05/andvarinaut.html

Andvarinaut (nórdico antigo: a oferta de Andvari), era um anel mágico forjado pelo anão Andvari que tinha a faculdade de atrair outros metais preciosos e ajudava seu dono a encontrar mais ouro.
Na ópera Der Ring des Nibelungen, de Richard Wagner, é conhecido como o Anel do Nibelungo.
Quando Odin, Loki e Thor caminhavam por Midgard, Loki mata uma lontra que nadava no rio e pega sua pele. Mais tarde eles descobrem que se tratava de Ótr, irmão de Fafnir e Regin, e filho do rei dos anões, Hreidmar. Hreidmar exige a morte de Loki pelo assassinato de seu filho. Odin, para salvar Loki, faz um acordo com Hreidmar no qual eles pagariam uma peça de ouro por cada fio de cabelo da pele de Ótr. Hreidmar aceita e fica com Odin e Thor como reféns até que Loki cumpra o acordo.
O único tesouro que possuía todo esse ouro pertencia a Andvari. Usando uma rede fornecida por Ran, Loki captura Andvari na sua forma de salmão e exige o seu tesouro e Andvarinaut em troca da sua liberdade. Andvari é obrigado a dar a Loki o seu tesouro, mas amaldiçoa o anel de modo a que destruísse qualquer ser que o usasse. Sábio, Loki não toca no anel e oferece-o a Hreidmar junto com o resto do tesouro. Hreidmar é então assassinado por Fafnir e Regin por causa do ouro, mas Fafnir decide que quer o tesouro só para si e transforma-se num dragão, afastando o irmão.
A mando de Regin, Sigurd mata Fafnir e toma para si todo o tesouro, oferecendo Andvarinaut a Brynhild e prometendo casar-se com ela. No entanto, Sigurd é enfeitiçado por Grimhild e acaba por desposar Gudrun, irmã de Gunnar, Hogni e Guttorm. Mais tarde, Sigurd recuperou o anel de Brynhild e ofereceu-o a Gudrun, que o usou como símbolo da união de ambos mesmo após a morte deste às mãos dos seus irmãos. Depois da morte de Sigurd e Brynhild, Gunnar esconde o tesouro numa caverna para protege-lo de seus inimigos. Anos mais tarde, Andvari descobre a caverna e recupera o seu tesouro, mas Andvarinaut estava perdido para sempre.
A lenda de Andvarinaut é um dos temas centrais da ópera Der Ring des Nibelungen, de Richard Wagner, e terá inspirado o romancista britânico J. R. R. Tolkien a criar o Um Anel do seu romance de fantasia, O Senhor dos Anéis.
O Anel do Nibelungo é citado na Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco.
Em Zero no Tsukaima, o anel Andvarian é um item com muito poder, guardado por um espírito da água, mas foi roubado por Cromwell, para tomar o poder de Albion. Para obter a lágrima no espírito da água, Saito se compromete a devolver o anel.

Fonte:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Andvarinaut